sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Xeque-mate



A vida, às vezes, toma rumos que não podemos prever. Seria adequado se tivéssemos o poder de inserir um pouco de certeza no futuro incerto. Quem dera possuirmos a sagacidade na movimentação das peças essenciais para conseguirmos um xeque-mate ameno, sem ocasionar percas, contudo, assim como no xadrez escolhas são necessárias. Perder componentes relevantes é inevitável para findar o objetivo do jogo (qual a finalidade da vida? Alimentar a nossa centelha divina ou nos regozijar em deleites bestiais? Estar tal qual Hércules perante um caminho bifurcado e ter que decidir a estrada a ser galgada. Caríssimo, Sartre, concordo quando dizes que a liberdade é uma prisão), faz parte do funcionamento da vida observar boa parte das pessoas desmoronarem ao nosso redor. Somos o rei. O jogo continua enquanto não nos mantivermos prostrados e seguirmos adiante com esperança na vitória. Doravante tomemos a coragem de Davi para abater qualquer gigante que obstrua a realização de nossos sonhos. Tenhamos a sabedoria de Salomão para lidar com magnas decisões. Sejamos esperançosos como os retirantes de Graciliano Ramos que mesmo diante do chão mirrado do sertão nunca deixaram de cultivar incessantemente o oásis dentro deles, a fé em dias verdejantes. Com a consciência de que por mais que o céu esteja opaco, ele não tardará a presentear-nos com a plenitude de sua opalescência ímpar.

Clayton Levi

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