quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fauna Cibernética



Rubem Alves e agora Ariano?! Ficaria até com medo de ser poeta, caso eu não fosse viver eternamente dentro dos meus versos como esses imortais que viverão em suas obras e na mente de quem teve/terá contato com elas.


Muitas postagens sobre Ariano. Algo lindo de contemplar. Uma lástima que alguém do universo literário suassuniano não possa tocar A gaita para trazê-lo de volta ao nosso picadeiro do dia a dia chamado vida, onde o espetáculo é feito por essa "fauna cibernética" que somente oferta um prestígio digno para alguém postumamente... Mas pensando bem é até melhor assim, pois o paraibano de alma e pernambucano de coração, Suassuna, certamente, solicitaria um novo flerte com "(...) o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados (...)", com a finalidade de fugir de todo esse falso luto da parte de alguns que sequer sabem que "O 'Alto' da Compadecida" é de autoria dele.

- Clayton Levi

sábado, 19 de julho de 2014

Sublime Compositor

"O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...".¹ - Rubem Alves



Rubem Alves, um ser plural: pedagogo, teólogo, escritor...
Um imortal tal qual Quintana! Da vida um sublime compositor.
Bem-aventurados os que brincam com os livros
E fazem deles "playcenters", pois asas receberão.
Mestre, os seus ensinamentos são sementes que floresce(m)rão!


Clayton Levi

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¹ Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.

sábado, 28 de junho de 2014

Universo Paralelo

"Vamos celebrar a estupidez humana (...)". Legião Urbana


Em um universo paralelo, alguém que é considerado estúpido não usa orelhas de burro ou recebe um adjetivo referente a este quadrúpede, ao invés disso utiliza uma vestimenta verde e amarela.

Clayton Levi

domingo, 6 de abril de 2014

Lúcida Loucura


"(...) Uma parte de mim
pesa, pondera:

outra parte
delira. (...)". Ferreira Gullar



Autoconhecimento é tudo. 
O tudo é nada. O nada ocupa tudo. 
Quanto mais leio, quanto mais conhecimento adquiro,
Tomo conhecimento de que não sei nada.
Isto é um clichê, eu sei.

"Só sei que nada sei", a máxima socrática é fascinante.
O tudo é nada. O Nada ocupa tudo.
O nada que possuo é tudo que tenho.
Nessa lúcida loucura dentro de mim sigo acalentando a vida. 
Vivo a vida sem leme, contudo sei onde quero chegar. 
Sou alheio a mim. 
Sou um conjunto com um outro eu que não sou eu.
Sou um eu que está em outro corpo, mas que também sou eu.O outro neste caso não seria apenas uma sinonímia de mim?
Como posso estar tão longe de mim e ao mesmo tempo perto?
Eu sou o outro ou outro sou eu?
"Sintonia transcendental", diz o meu outro eu
Para descrever essa velocidade de acontecimentos,
V
ínculo que se formou de repente,
Em uma noite avulsa da minha existência.
O outro sou eu, eu sou o outro.
           
   - Clayton Levi

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aposentei a minha melancolia existencial



           Aposentei a minha melancolia existencial. Pendurei a minha rotina no cabide, ajustei-a entre as roupas rotas do desgosto de ontem e da jaqueta do rancor de outrora, no interior do guarda-roupa dos maltrapilhos. 
         Agora à tarde, despido desses males, li o mantra do poeta: "Não importa a distância que nos separa, há um céu que nos une.", inclusive existe um sentimento que mantém o nosso elo imaculado, minha felicidade do sorriso lindo. 
            O meu bem-querer por ti foi imortalizado dentro de mim tal qual um momento inesquecível em uma fotografia, um retrato que guardamos na cabeceira para contemplarmos com alegria a fim de sabermos que tudo compartilhado na imagem foi real e não apenas um sonho do qual despertamos frustados por ele ter sido apenas uma fantasia.

- Clayton Levi

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Altivo Verso


Altivo verso, onde estás nesse momento?
Meu anseio por ti é incessante.
No mundo um poeta gigante
Perde-se em febril lamento,

Quando não apareces no pensamento
E saltas para um papel num instante
Com a rapidez de uma praga epidêmica e fecundante.
Tentar escrever e o nada rugir: este é o meu tormento.

Por que não falas comigo?
Vem a mim, querido amigo,
E seja dos meus (des)amores o núncio.

Guiar a pena ao encontro da folha amarelada
A fim de lhe ouvir é ter uma existência atormentada
Pelo mistério do teu sepulcral silêncio.

                                                            - Clayton Levi