terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

As Quatro Estações




           Na primavera, aprendi com um casal de borboletas a voar com autonomia por entre as mais belas flores de um bosque ensolarado. Aprendi que nas coisas simples que, às vezes, passam despercebidas pelo nosso olhar são onde habitam o segredo da florescência da felicidade em nossas vidas. Ter a companhia de alguém que nos ama - com ações - e preza por nosso bem-estar são as grandes riquezas da vida.

           No verão, aprendi com o sol, que irradia sua companhia, a não ser arrogante devido uma posição elevada, contudo a dividir minhas experiências com as pessoas que precisam delas para refletir sobre suas vidas. Aprendi que ficar exposto, em demasia, a algo bom pode trazer feridas que jamais cicatrizarão e que o sofrimento traz em seu seio a aprendizagem.

           No outono, aprendi com uma árvore a substituir minhas folhas. A mudança é a lei da vida. Aprendi a recomeçar minha vida sempre que ela não estiver bem, tentar apesar de toda dor desapegar-me de tudo e todos que não contribuem com minha felicidade. 
               
           No inverno, aprendi com um ditoso gato, que ronronava tranquilamente, a apreciar minha própria companhia. Há pessoas que são como gatos, pois estes vêm ao nosso encontro nos acariciando, no entanto eles estão apenas se satisfazendo, como narcisistas que são. Aprendi que há pessoas que dizem amar, entretanto o amor dessas pessoas é apenas carência.

 - Clayton Levi

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Introspecção

          
         A morte é iminente. Temos conhecimento que ela virá nos beijar subitamente, entretanto nunca estamos preparados para tamanha carícia. Quando o sol da minha vida chegar ao oeste, anos se sucederão, todas as pessoas que me conheceram também deixarão de existir, quase não haverá resquícios de nossa efêmera passagem por esse planeta azul. Os livros da minha prateleira que fim terão?  Chegará um tempo que alguém lerá o meu nome em um dos meus amigos de folhas e se perguntarão: "Quem foi este que tem o nome cravejado no livro? Quais pensamentos emanaram dele ao lê-lo?".

          Sentado no banco da praça, adjacente a minha residência, observo a quantidade gritante de pessoas que passam por ela diariamente. Reflito acerca delas, sobre o que elas podem está pensando, a respeito dos seus possíveis anseios e lamúrias, pondero o que elas poderiam me ensinar. Permito-me, por exemplo, imaginar como aquela jovem que transborda alegria pode ocultar o mais sombrio dos segredos, cogitar naquele Sr., que apesar do cansaço da labuta, irá brincar com seus possíveis filhos até o momento em que eles irão adormecer, por fim, o meu devaneio concernente a beata de ar pueril que pode ser uma messalina, o suprassumo do pecado.

          Quem sabe alguém esteja fazendo uma ação igual a minha enquanto estou inerte nessa contemplação filosófica. Quem sabe, um dia, quando de fato me conhecer irá dizer: "Pensei que você fosse bravo" ou "Pensei que você fosse uma pessoa que não queria nada com a vida". Talvez, apenas um desses transeuntes pudesse oferecer boas respostas para as minhas perguntas. Quiçá, um deles pudesse partilhar um pouco de sua serenidade para refrear a minha mente inquieta ou até é possível que dentre eles existe alguém com pensamentos semelhantes aos meus.  

          Às vezes, precisamos de alguém para nos salvar de nós mesmos, pois estamos perdidos e podemos nunca mais voltar, precisamos de alguém para nos colocar no lugar. Há momentos que apenas nós podemos ser nosso próprio Messias. Victor Hugo, num insight, disse: "A esperança seria a maior das forças humanas se não existisse o desespero.". Afinal, se entregar a derrota podendo conseguir a vitória é covardia! Quando a vida lhe mostrar que tudo está perdido, feche os olhos e siga a estrada de tijolos amarelos do seu coração, porque no fim dela você encontrará a paz que você tanto deseja.

      Clayton Levi