segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Soçobro




“[...] Chegarás, primeiro, à região das Sereias,
cuja voz encanta todos os homens que delas
 se aproximam. Se alguém, sem dar por isso,
 delas se avizinha e as escuta, nunca mais
 sua mulher nem seus filhos pequeninos se
 reunirão em torno dele, pois que ficará cativo
do canto harmonioso das Sereias. Residem
elas num prado, em redor do qual se amontoam
 as ossadas de corpos em putrefação,
 cujas peles se vão ressequindo [...]”.

A Odisseia, Homero.









 O jovem capitão findou sua vida no fundo do mar
Por causa de uma fada marinha que o fez amar.
Incentivou-o a construir sonhos para só então deixá-lo naufragar em dor.
Ele gostaria de escapar do sofrimento voando como um albatroz.
Ela era linda, dona de uma feiticeira voz. 
Cantando atraiu o marinheiro, fazendo-o prisioneiro do amor.

As estrelas não conseguiram guiá-lo para longe da calamidade
Que estava no porvir: o marujo tinha em sua sina a morte.  
A princípio ele pensou ser muita sorte,
Ter encontrado uma sereia de olhos de pérola com tamanha vontade
Em ajudá-lo quando estava perdido na vastidão do oceano,
Contudo ela saqueou seu fôlego com um ato profano,

Encantou seus sentidos, distraiu sua atenção,
Fazendo colidir nos rochedos frios sua embarcação.
Poseidon ao contemplar tal tragédia em prantos ficou.
Por muito tempo o céu chorou.

O desalento do rei dos mares foi tão notável 
Que este fez com que as ondas ao banhar a costa estável,
Pela eternidade contassem essa deplorável história
Que ele não consegue extrair da memória.
                                                                    Clayton Levi

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