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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Noite sombria

"Cause it's a bittersweet symphony, this life".





              Era uma noite gélida e sombria de agosto, os ventos do sul coloriam a natureza com cores frias e melancólicas. O tempo parecia não existir no meu quarto escuro. Eu não sabia as horas que os relógios davam quando dois amigos conclamavam meu nome no prédio onde habito. Solicitei que aguardassem. Antes de sair, observei o meu anjo dormindo tranquilamente, por um instante.
             Moro no segundo andar. Descendo as escadas a fim de atendê-los, paralelamente,  fitei o outro lado do meu bloco. Avistei um colega que há tempos não trocávamos palavras. Não acreditei que fosse ele, parei e fiquei pasmo,... era o próprio. O meu amigo fez o mesmo, desceu as escadas na medida em que eu também descia e meus dois amigos entravam no bloco.
               Encontrei estes primeiro e tomei nota que um amigo tinha partido, perdido a luta no hospital para a tuberculose e se fora sem fazer um último brinde. - Não acreditei. Isso não poderia ter acontecido, pois ele era meu amigo. Sempre pensamos que nada de ruim acontecerá conosco ou com alguém que temos como amigo. -, no primeiro momento, fiquei estatelado, sem palavras, mal terminara de receber a notícia meu colega veio com um enorme ânimo falar comigo, porém não consegui esboçar qualquer reciprocidade, em vez disso esboçava o avesso. (Eu não estava ali, era apenas um corpo que tinha a mente passeando por memórias. Recordava, em uma fração de segundos, tudo o que havia dividido com meu amigo que encontrou a dama obscura que mais cedo ou tarde abraçará a todos).
           Meu colega se fora, acredito que ele pensou que eu não estava dando importância a presença dele, afinal fiquei emudecido. Ele se despediu, fiz o mesmo com uma trôpega e fraca voz, queria ter expressado alguma alegria em vê-lo, queria ter perguntado as novidades, todavia eu não consegui fazer nada, estava imóvel.
           Quando ficamos em tríade. Não contive o desespero. Comecei a dizer compulsivamente que era mentira para mim mesmo. Levei a mão trêmula até a boca e chorei copiosamente. Tentava me acalmar, contudo não obtinha sucesso. Meu emocional estava descontrolado. Passou-se um bom tempo até a calma tomar posse de mim e assim poder perguntar sobre o ocorrido. Em uma breve conversa me informei. A realidade é cruel. Tudo era verdade. Mesmo que eu não quisesse aceitar o fato do meu amigo ter falecido, isto não o traria de volta.     


            Deuses? Eles são apenas nossa plateia que regozija-se com as histórias que criamos e vivemos. Padecer é game over? Se há ou não continuação só saberemos quando zerarmos o jogo. Saber se existe uma pós-vida é como observar se tem algo após os créditos de um filme, só sabemos quando assistimos o filme por inteiro. 

        A vida é um grande filme onde cada sujeito é o diretor e o protagonista dele. Paulatinamente, vamos aperfeiçoando o enredo, apesar dos erros e perdas é necessário continuar com esperança no coração. Cultivar esperança em dias melhores é o slogan da vida. Quanto tempo é necessário para um coração curar-se? Acredito que irei descobrir a resposta dessa pergunta. As pessoas em nossa volta constroem uma pequena parte de nós, mas quando partem levam uma parcela maior do nosso ser.                              

                                                                            Clayton Levi





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cúmplice da minha felicidade


"[...] Meu riso é tão feliz contigo. O meu melhor  amigo é o meu amor. [...]". - Marisa Monte

        A vida é repleta de instantes felizes e almejamos que estes sejam eternos. Felicidade é fazer algo que seja imerso em um desejo que jamais termine. A vida em si não possui uma fórmula mágica de felicidade. Todas as pessoas buscam ser felizes de maneiras diferentes, pois o que agrada a fulano pode não agradar beltrano e vice-versa. Eu encontrei a fórmula mágica da minha felicidade e ela tem nome de anjo. Como eu disse outro dia: “Saudade do seu - tão meu – sorriso”. Sejamos felizes juntos é o meu veredito.  É mais fácil saber se existem mais grãos de areia na terra ou estrelas no céu do que compreender como amamos mais uma pessoa a cada dia que passa. A amizade precede o amor. Feliz daquele que possui sua melhor amiga como namorada.  Se ser feliz é cometer um delito, ela é cúmplice da minha felicidade.



                                                                                              Clayton Levi

terça-feira, 13 de agosto de 2013

*Nietzsche:



Nietzsche (1944-1900) rompe com a teoria do determinismo ao demonstrar com sua história que mesmo um sujeito nascido em um lar exacerbadamente religioso pode vir a ser um ateísta. Educado em seio cristão – pais e avôs protestantes - este filósofo foi de encontro com tudo que aprendeu em seu lar, pois tornou-se um dos maiores representantes do ateísmo mediante as suas obras que criticavam a cultura purulenta do ocidente,  moral, ciência,  religião, etc.
 Algumas das principais obras dele são: O nascimento da tragédia no espírito da música, Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral (um ensaio), Além do bem e do mal, prelúdio a uma filosofia do futuro, O anticristo, nesta obra o autor faz uma crítica veemente ao apóstolo Paulo de Tarso por deturpar os ensinamentos de Jesus. Para Nietzsche “o evangelho morreu na cruz”¹. As pessoas são apenas fantoches das religiões.
Com seu pensamento (repleto de aforismos) buscou ressaltar, por vezes, que “Deus está morto”², isto é, ao ler esta frase, no primeiro momento, o interlocutor poderia compreender que ela é apenas um grito desesperado de um ateu revoltado que não aceita ser subordinado a um deus, no entanto esse pensador em sua notória frase teve a pretensão de explanar que: não é preciso haver um deus para justificar o que acontece no mundo, porquanto a metafísica está findada. Ele também diz que: "Quando se coloca o centro da gravidade da vida, não na própria vida, mas no 'além' - no nada - na verdade se retirou da vida o seu centro de gravidade"³. Privar-se dos prazeres dessa vida em prol de um além-túmulo é loucura, afinal o que procede após ela é incerto, porque ninguém pode sequer provar que de fato existe uma pós-vida. Negar a si mesmo os prazeres da vida devido a fé em algum deus/rito religioso é sinônimo de disparate para o autor. 
Teve como ideias principais a aversão a qualquer tipo de igualitarismo, o sujeito não é limitado, ou seja, ele quis retomar a ideia do antropocentrismo do período do Renascimento em que o homem é o centro do universo. Para o mesmo, ser livre é conseguir aceitar o porvir  de forma consciente. 
A visão educacional nietzscheana é pautada no aperfeiçoamento individual e que a educação vise o crescimento do desenvolvimento em escalas colossais do indivíduo. Visto que Nietzsche criticava a uniformização do conhecimento e dos próprios alunos. Ele contemplava o caminhar do ensino técnico sobre todos os níveis escolares a fim de preparar profissionais e servidores qualificados. É tomado por uma crise de loucura e esta o acompanha até o seu último suspiro. Em seus últimos dias, assina cartas como sendo “Cristo” e “Dionísio”. 

                                                                                                      Clayton Levi

_______________________
¹
          ² 

³ O anticristo
          
*Texto em construção.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Colcha de retalhos

          
           O meu porto seguro é a (in)segurança de um barco navegando para concluir o seu trajeto pelo oceano. A instabilidade é a única coisa estável da vida. A vida não tem cinto de segurança. Cada nuance sonhada é tecida com fios da possibilidade de realização. Cada retalho onírico é uma parte de uma colcha que agasalha a minha existência efêmera. O ato de viver é como uma senhora que transforma retalhos na mais aconchegante colcha. Viver é saber contornar os imprevistos do dia a dia e fazer o melhor com o que se tem a fim de resistir aos pesares e as vontades que se revelam cada vez mais sufocantes.

- Clayton Levi

Guria(njo)

     

            Ele apesar de todos os problemas não ficava cabisbaixo por muito tempo, pois se sentia especial por ter uma guria(njo) em sua vida. Ela dava forças para ele continuar. Ele não podia está sempre segurando a mão dela ou afagando o rosto da mesma para que esta adormecesse tranquilamente, no entanto todo o tempo que dividiam, para ele, era o necessário para se sentir feliz. Toda vez que se despediam, ele beijava a testa(uréola) dela, porque sentia que de algum modo este pequeno gesto traria proteção para sua amada, enquanto ela não pudesse estar protegida de tudo nos braços dele. 

- Clayton Levi

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tudo que existe está a passar

      

     Pensa que é um pensador,
   Pensador que pensa que pensa.
    Pensar, algo cada dia mais raro.
O que há de errado com as pessoas?
     Ora escrevo em versos brancos:

       Ver a vida de forma branda!
Verde é a cor do contemplar filosófico,
     Verdades absolutas não existem.
Verdejante é o pulsar do ato de filosofar,
        A vida pode ser encarada como 
Um palco dramático ou um picadeiro espetacular.
               Ora escrevo com rimas:

   Tudo que existe está a passar.
              Nada pode realçar
             O tempo que escoa
            Pelos dedos do tempo.
            Toda nossa vida ecoa
     Pelos sonhos de outra pessoa.
  Do Sr. tempo somos o passatempo
               Preferido, humanos.

             
Amar não tem métrica, 
                  Amar é um poema 
                 Em versos brancos,
           Ricos em seus significados, 
                  Cada dia mais incomuns
    De serem compreendidos por aqueles
  Que os leem de forma literal e vulgar.

      Leio um texto, em seguida sinto algo
          Em mim dizendo para escrever.
   Escrevo sem pensar, deixo fluir a poesia.
     Escrevo com a intuição(derr)amando
                As ideias no papel depois
              Enxugo as ideias e um poema
       Nasce sem a minha percepção notar. 



- Clayton Levi

sábado, 22 de junho de 2013

20/06/13= protesto



Protesto? Estava mais para carnaval fora de época!
Protesto? Estava mais para passeata!
Protesto? Estava mais para encontro dos amiguinhos!
Protesto? Estava mais para qualquer coisa menos protesto!

Até ganhei inspiração para uma singela paródia p/ os "politizados" exímios conhecedores das correntes políticas, "ismos":

Ela não é reacionária, é progressista.
Ela é politizada, leu "O Manifesto Comunista".
Ela é fã de Hobbes. "Leviatã", the book!
Tira foto no protesto pra postar no Facebook.