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domingo, 31 de março de 2013

Âmbito moço

             Quando uma pessoa entra em nossas vidas, não conseguimos imaginar a proporção da possível mudança que ela pode acarretar em nossa existência. Cada indivíduo é uma chave que nos permite acessar o interior de um novo cômodo dentro de nós mesmos. Neste âmbito moço encontra-se o conforto/espinho para viver da melhor/pior forma possível. Há pessoas que não imaginamos o quanto elas se tornarão relevantes em nossas vidas, concomitantemente, outras que são especiais não tardarão a serem insignificantes como sujeitos que corroboram seus atos com mentiras.

- Clayton Levi

Lou(cura)

A minha luxúria pela vida encontra o seu ápice ao ler um bom livro. Onde as pessoas enxergam apenas loucura, eu vejo lou(cura), a cura contra o tédio, a cura que me permite viver uma vida que brada por todos os lados: "FELICIDADE!". 
- Clayton Levi

Poeta

                                   "Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
                                 Do que os homens!...". - Florbela Espanca


 
   Quando criança, sem perífrase, inquiriram-me:
        "O que você quer ser quando crescer?".
                - Sem tartamudear, respondi:
                      "Quero ser um deus!".

                  Anos sucederam-se após
                 Este episódio e concretizei
                Meu sonho, tornei-me poeta!
               Traduzo sentimentos em versos.

                     Converto a escuridão em
                  Iluminação para guiar a vida 
                     Alheia assim como o farol
                 Que norteia o marujo no mar.

          Transformo a simplicidade em grandeza. 
                 Guardo o anseio de ser o poeta 
            Dos versos perfeitos capazez de curar
             O coração e alma de quem os lerem,

            Palavras que consolam como um abraço
              Amigo em um momento de luto. Dizeres
            Que confortam como a fé que o ente querido
           Migrou para um lugar melhor ao lado de Deus.


- Clayton Levi

Renascimento

         
         Cometi suicídio para viver mais! Arquitetei tudo pacificamente. Decorei o cenário para o meu "grand finale". Coloquei o meu cd preferido como trilha sonora. Despi-me do meu terno, deixei-me ficar à vontade comigo mesmo, ao passo que degustava a minha bebida predileta! (Um copo cheio me relata coisas mais interessantes do que vocês, pessoas vazias)... Subi na cadeira e coloquei a corda-liberdade no pescoço. Parei por um instante, arfei, o meu sistema nervoso ficou descontrolado, em flashs gradativos lembrei-me dos melhores momentos da minha vida, dos momentos marcantes... Saltei para afastar-me das pessoas hipócritas e dessas lembranças que não permitiam ser livre da insônia!... Meu pescoço não fraturou (para o meu azar), sufoquei devagar enquanto debatia-me insanamente, tudo foi perdendo a nitidez... Não sei o que se sucedeu após o sufocamento... Acordei longe do lugar em que saltei para liberdade. (Como isso é possível?!), não sei! Acredito que apenas adormeci. Coloquei a mão no pescoço e não encontrei a corda que libertou-me ou qualquer vestígio de marcas acarretadas pela mesma. Despertei em minha cama, estava diferente, sentido a vida como uma pena pairando no ar. Tudo aquilo que estava dentro de mim, sufocando-me se foi... Fui até a sala e não avistei nada. Não sei o que de fato aconteceu. Não encontrei  fragmentos de tudo que preparei. Tudo isso foi apenas um sonho? Não sei! Apenas sei que sinto-me diferente, sinto a vida fluir de todos os lados. Tudo isso é confuso para mim. Não sei o que aconteceu, apenas sei que dessa vez farei tudo de outro modo, dar-me-ei uma vida digna de um clássico  literário. Devemos aprender com as cobras a trocar de pele. É preciso se auto-renovar periodicamente! Tudo se fez novo no findar do itinerário. No fim houve um novo começo! 

 Clayton Levi

A odisseia da existência

              A vida é uma viagem épica que flerta com o desconhecido. Uma jornada repleta de aventuras como "A Odisseia" de Homero. Há momentos dela que nos deparamos com belezas da realeza e sentimos vontade de nos prostrarmos perante ela por ser tão surreal. Há instantes que estamos aprisionados na obscuridade de uma caverna, temos medo que um ciclope dantesco e antropófago esmigalhe nossos crânios como os dos nossos companheiros de viagem esfacelados pela gigante criatura. Por nosso desejo pela sabedoria podemos passar anos perdidos, à deriva, no mar da existência. Ora em terras ermas onde o desespero impera, ora percebendo que numa ilha remota de prazeres visuais extraordinários pode haver perigos dissimulados como Circe, uma ninfa de formosura símile ao que há de mais no belo mundo, que pode transmutar o nosso destino em suíno, caso não tenhamos a audácia de conquistá-lo mantendo o foco nele e observando o mundo além das aparências. No decorrer da nossa viagem, perderemos amigos para diversos monstros, isto é inevitável. Devemos saber que fizemos tudo para salvá-los, no entanto não temos o poder de Zeus para realizar o irrealizável. Temos que continuar a jornada sem nossos amigos. É na escuridão  que conhecemos a força da luz. Quando o nevoeiro se esvai conseguimos enxergar, para isso acontecer é preciso ter paciência. A vida nos solicita calma para nos permitir contemplar o que realmente importa. Ao cruzarmos um lugar desconhecido dentro de nós mesmos é que nos encontramos de verdade. É necessário ponderar bastante antes de tomar uma decisão. Necessitamos  estar firmes para guiar o leme da vida - sempre com ânimo -, com a finalidade de enfrentar os tempos tempestuosos e continuar a busca pelo lugar desejado. É preciso acostumar-se com a imensidão do oceano de escolhas, ao nosso derredor, sabendo que ventos que estão ao nosso favor nem sempre nos guiam para uma ilha paradisíaca. 
 - Clayton Levi

quarta-feira, 20 de março de 2013

Musa renascentista


Corpo escultural, musa renascentista: 
De revistas de moda é assídua leitora,
Na arte do pensar é uma "admirável" instrutora!
Na futilidade é uma notória especialista! 
Tudo isso é apaixonante!

Ela é sincera tal qual a identidade 
De uma pessoa em um baile de máscaras.
É irrisória perto de suas roupas caras,
Para ela, a penúria da humanidade. 
Tudo isso é cativante! 


Sua personalidade é demasiado glitter.
Os seus lábios são saborosos 
Como a iguaria de animais asquerosos.
De ladra é o seu honroso caráter.
Tudo isso é estonteante!

O tom do seu esmalte é mais interessante
Do que o conteúdo de um bom livro.
Estou amando-a. Como dela me livro? 
Apesar de tudo, o decote dela é provocante. 
Tudo isso é luxuriante!

- Clayton Levi

segunda-feira, 18 de março de 2013

Aragem

"...Outras vezes oiço passar o vento,
                                                E acho que só para ouvir passar o vento
 vale a pena ter nascido...". 
- Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa). 


Uma moça pura retira-se do seu assíduo recanto
Onde são disseminadas as palavras do rabino sacrossanto.
Senta-se no chão, munida de um lápis e o seu confessionário peculiar,
Seu diário, e se põe a confessar buscando se aliviar:
 
No meu coração guardo um pintor da bondade
Que sonha colorir o mundo com dignidade.
(sobre)viver nesse mundo cinza-ganância-egoísta
É deprimente. Tenho orgulho de ser altruísta.
 
Onde está o tão falado amor ao próximo?
Onde se escondeu o sentimento de dor
Pela tristeza do seu amicíssimo?
Pessoas hipócritas! Culpam o Acusador
 
Pelos seus próprios execráveis erros.
Coloco-me em estado de luto eterno por seres dessa linhagem.
Escondem-se atrás das mães como desmamados bezerros...
De repente, tudo se esvai ao sentir em seu rosto a carícia da aragem.

- Clayton Levi