segunda-feira, 11 de março de 2013

Dom Casmurro

"Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham.". - Dom Casmurro (Machado de Assis).

Fito meu olhar no seu. Um olhar de admiração
Tal qual o de um devoto ao ver finalmente o seu deus.
Não pense que os seus olhos oblíquos e dissimulados
Irão ter o que você quer, Capitu. Eles são exímios poetas,

Porém não acredito em nada do que eles me contam. 
Meu olhar é cego para tamanha falsidade.
Seus olhos proferem mentiras, mentiras contidas
Nos melhores sonhos adolescentes.

Seus olhos dizem me amar, mas sou cético a tamanha ilusão. 
Cigana, seu corpo em conluio com suas pérolas negras
Tentam me fazer ter fé. Não acredito!
Mentiras assim deveriam causar suicídio

Instantâneo a quem ousasse proferir tamanho sacrilégio.  
Aquele menino ingênuo que você conheceu, anos atrás, 
Tornou-se um homem observador e meticuloso.
Homem que daria tudo que possui para extinguir

Todas as pessoas da sua índole da face da terra.
Capitu, eu sei do seu afeto por Escobar... Sempre soube.
Bem sei que todos lhe desejam. Todos sonham em sentir
Os seus lábios junto aos deles. Devaneam saborear dos seus

Encantos entre quatro paredes. Sinto lhe dizer, não sou
Igual a todos, desejo algo que você não pode oferecer
A minha alma, desejo um amor a dois, um sentimento
Sincero e ímpar. A sua alma é mais promíscua do que

A da meretriz mais formosa do prostíbulo da esquina
E nunca poderá suprir o meu desejo.
Eu almejo um amor que me faça agir como Orfeu. 
Um amor que me faça descer até o Tártaro,
Apenas para resgatar o melhor de mim.

 - Clayton Levi

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