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quinta-feira, 26 de março de 2015

Homem do Século XXI


Acordou da hibernação poética.
Agora consegue (transcre)ver
O horror da existência cáustica,
O olhar para o outro é cadavérico. 

A vida cotidiana é um cansaço
Que sufoca com a força do aço.
O lado sentimental
É quente como metal.

Transportes repletos
De diversos dialetos.
A mente recheada de diversos
Nomes e ideias que serão versos.

As relações  - independente de qual seja -
Entre as pessoas são efêmeras como o rio que corre,
Não são feitas para durar. 

Não há nem tempo para terminar as rimas daquele
Novo poema, tampouco compactar cada estrofe em 
Quatro versos. O café queimou sua boca. Corre!... Ônibus...
A cultura da futilidade possui um altar multifacetado
Para adoração comunitária


Do seu novo escrito (ou não!). 
Assim vai vivendo, sem perdão,
O homem do século XXI
Até o dia do enorme "boom"!

Clayton Levi

Emaranhado Existencial

             
        

               Ela acordou após um fim de semana onde dormir foi a sua atividade de maior carga horária, intercalada com refeições distantes de serem saudáveis. Emaranhado existencial: precisava estudar, mas para isto carecia de dinheiro e para ter o bolso com verdinhas era necessário estudar. Ah, a vida e sua lógica desconexa. As ficções fazem mais sentido do que a própria vida real - pensou Sofia.

      Existem pessoas que dormem a vida inteira. Ela já havia despertado... A garota também necessitava viver além de apenas existir. Sentir-se viva para fugir da rotina de ser apenas mais um número na sociedade. Tinha noção de Platão e outros filósofos,  isto a permitia tecer críticas a realidade na qual estava inserida. Sorria ao descrever como real toda essa farsa em que ela vivia. Realmente, acreditava que estava encarcerada em uma caverna sombria como na Alegoria da Caverna.

          Almejava uma ferramenta para romper os grilhões que a mantiam refém disso tudo, porém as sombras personificadas em sua preguiça, no seu total desinteresse por questões rasas da vida e as falcatruas que participava só permitiam que a jovem fitasse perplexa o caos primordial, a bagunça do seu quarto: roupas e folhas de rascunhos amassadas se digladiando para ocupar um lugar no chão, enquanto as embalagens de pizza em sua cama assistem tudo de camarote. Da incerteza fazia certeza. Um fato era incontestável: "Ela e organização eram antônimos". 


                                                                                                    -  Clayton Levi

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Branca Sardenta



Quando o astro pálido estiver no ápice da formosura entre as estrelas,
Estarás indo ao encontro de uma das muitas branquelas
Que encontraste durante esses meses de vida noturna.
Quem não vive uma vida promíscua tem uma sorte soturna.
Dado o instante de desflorá-la, rapaz,
Poderás iniciar as preliminares de forma voraz,
Percorrendo sem pudor o corpo nunca antes explorado,
Ou com paciência procurando satisfazer cada parte do venerado.
Tuas mãos irão percorrê-lo com entusiasmo e luxúria.
Tudo isto ficará cravejado na tua memória.
Dominar os pormenores da língua é ter a oportunidade
de ser sensual durante a escrita e a oralidade.
Na branca sardenta irás encontrar o deleite.
Ela se comunica de forma diferente, aceite.
O Teu tato e visão serão tua audição.
Sem medo de ser feliz, manuseie-a com livre permissão.
Ela pode voar das tuas mãos, contudo segure-a com força
E diga: "Fique aqui! Quem manda em você sou eu, moça.".
Coloque-a em cima da cadeira. Em seguida, estupre-a,
Sinta o prazer emanar, até deixá-la sem ar!

(Clayton Levi)
18/01/15

Ano-novo

"Viver é não saber que se vive.
Procurar o sentido da vida, 
sem mesmo saber se algum sentido tem,

é tarefa de poetas e de neurasténicos."
(Florbela Espanca)




A aurora de um novo ano floresce
E acaricia o olfato de todos
Com o seu aroma de novidades.

O tempo se esvai
Como uma cascata arenosa a fluir,
Sem perder o fôlego,
Entre meus dedos.
E o que importa?
Vivo o agora em sua plenitude!

Nessa noite, vivencio o que já fui.
Descubro o que não sou.
Renasço como senhor da minha sina.

O céu olha com seus olhos negros:
O líquido glacial da garrafa
A aquecer sorrisos francos.
O poeta a brindar,
A cada "Trin! Trin!"
Surge um Éden momentâneo.

A alvorada confessa:
Para ser feliz não é preciso ter muito,
Mas ser em abundância.
É preciso amar a si mesmo
Acima de todas as "coisas".

(Clayton Levi)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fauna Cibernética



Rubem Alves e agora Ariano?! Ficaria até com medo de ser poeta, caso eu não fosse viver eternamente dentro dos meus versos como esses imortais que viverão em suas obras e na mente de quem teve/terá contato com elas.


Muitas postagens sobre Ariano. Algo lindo de contemplar. Uma lástima que alguém do universo literário suassuniano não possa tocar A gaita para trazê-lo de volta ao nosso picadeiro do dia a dia chamado vida, onde o espetáculo é feito por essa "fauna cibernética" que somente oferta um prestígio digno para alguém postumamente... Mas pensando bem é até melhor assim, pois o paraibano de alma e pernambucano de coração, Suassuna, certamente, solicitaria um novo flerte com "(...) o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados (...)", com a finalidade de fugir de todo esse falso luto da parte de alguns que sequer sabem que "O 'Alto' da Compadecida" é de autoria dele.

- Clayton Levi

sábado, 19 de julho de 2014

Sublime Compositor

"O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...".¹ - Rubem Alves



Rubem Alves, um ser plural: pedagogo, teólogo, escritor...
Um imortal tal qual Quintana! Da vida um sublime compositor.
Bem-aventurados os que brincam com os livros
E fazem deles "playcenters", pois asas receberão.
Mestre, os seus ensinamentos são sementes que floresce(m)rão!


Clayton Levi

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¹ Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.

sábado, 28 de junho de 2014

Universo Paralelo

"Vamos celebrar a estupidez humana (...)". Legião Urbana


Em um universo paralelo, alguém que é considerado estúpido não usa orelhas de burro ou recebe um adjetivo referente a este quadrúpede, ao invés disso utiliza uma vestimenta verde e amarela.

Clayton Levi