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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Recesso 2015.2




Miragem de oásis no deserto.
Canto de sereia no oceano.
Bilhete premiado no fim do ano.
"Estarei sempre aqui por perto".


CLAYTON LEVI

segunda-feira, 6 de julho de 2015

J. da Silva




Na infância: cigarras
Na adolescência: cigarros
Na infância: bola
Na adolescência: cola
Na infância: o cobertor o cobre
Na adolescência: furta cobre
Na infância: saboreia balas
Na adolescência: atira balas

J. da Silva, agora adulto,
Usou o seu corpo como régua
Para medir a distância, sem trégua,
Entre o chão e o topo do viaduto.
Clayton Levi

terça-feira, 23 de junho de 2015

Poesia





A poesia é uma chave mestra: abre corações, mentes e pernas.




15 de junho de 2015, Clayton Levi.

terça-feira, 2 de junho de 2015

“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede:
 conheço um que já devorou três gerações da minha família.”.
 - QUINTANA, Mario.



          Tempo? O Tic-tac na parede do meu quarto agora é mudo. Contudo, tenho um lembrete constante da passagem das horas silenciosas e letais: pousando minha mão em meu peito "escuto" o tiquetaquear do meu coração. Algumas vezes, pode ser demasiado tarde para assassinar a saudade de algo/alguém. Até semear uma palavra amiga ou falar umas "verdades" possuem um prazo de validade. Então, vamos viver e não apenas existir: que a nossa vidafruta tenha plenitude por desfrutarmos dela a cada pedaço suculento como se fosse o derradeiro!

Clayton Levi

(De)lírio



(De)lírio: esta formosura
É perpetuada pelas primaveras.
Está estampada a efígie da ternura
Nos campos florais através das eras.

Distante de ser apenas uma savana,
É a natureza em forma humana:
Na pele tem a cor da lua.
Aurora boreal: nua.

Tem o aroma de terra molhada.
O céu azul compactado no olhar,
A expressão facial é ensolarada
E o corpo tem as curvas do mar.

Em cada carícia labial uma ígnea presença.
Delas brotam, entre as pernas, uma foz.
Há uma lira pastoril na voz.
No amor eterno tem a crença.

No sorriso pérolas incrustadas.
Musa com o toque de Midas
Transforma com seu leve tato o simples em ouro.
Notívagos costumes de um pássaro mouro

Que desfruta desse presente da natura
Sem medo de macular sua alvura.
Pêssego genital: iguaria edênica.
Perfeição da botânica.

Clayton Levi

quinta-feira, 26 de março de 2015

Homem do Século XXI


Acordou da hibernação poética.
Agora consegue (transcre)ver
O horror da existência cáustica,
O olhar para o outro é cadavérico. 

A vida cotidiana é um cansaço
Que sufoca com a força do aço.
O lado sentimental
É quente como metal.

Transportes repletos
De diversos dialetos.
A mente recheada de diversos
Nomes e ideias que serão versos.

As relações  - independente de qual seja -
Entre as pessoas são efêmeras como o rio que corre,
Não são feitas para durar. 

Não há nem tempo para terminar as rimas daquele
Novo poema, tampouco compactar cada estrofe em 
Quatro versos. O café queimou sua boca. Corre!... Ônibus...
A cultura da futilidade possui um altar multifacetado
Para adoração comunitária


Do seu novo escrito (ou não!). 
Assim vai vivendo, sem perdão,
O homem do século XXI
Até o dia do enorme "boom"!

Clayton Levi

Emaranhado Existencial

             
        

               Ela acordou após um fim de semana onde dormir foi a sua atividade de maior carga horária, intercalada com refeições distantes de serem saudáveis. Emaranhado existencial: precisava estudar, mas para isto carecia de dinheiro e para ter o bolso com verdinhas era necessário estudar. Ah, a vida e sua lógica desconexa. As ficções fazem mais sentido do que a própria vida real - pensou Sofia.

      Existem pessoas que dormem a vida inteira. Ela já havia despertado... A garota também necessitava viver além de apenas existir. Sentir-se viva para fugir da rotina de ser apenas mais um número na sociedade. Tinha noção de Platão e outros filósofos,  isto a permitia tecer críticas a realidade na qual estava inserida. Sorria ao descrever como real toda essa farsa em que ela vivia. Realmente, acreditava que estava encarcerada em uma caverna sombria como na Alegoria da Caverna.

          Almejava uma ferramenta para romper os grilhões que a mantiam refém disso tudo, porém as sombras personificadas em sua preguiça, no seu total desinteresse por questões rasas da vida e as falcatruas que participava só permitiam que a jovem fitasse perplexa o caos primordial, a bagunça do seu quarto: roupas e folhas de rascunhos amassadas se digladiando para ocupar um lugar no chão, enquanto as embalagens de pizza em sua cama assistem tudo de camarote. Da incerteza fazia certeza. Um fato era incontestável: "Ela e organização eram antônimos". 


                                                                                                    -  Clayton Levi