terça-feira, 23 de abril de 2013

Ela não é daquelas...

        DA FELICIDADE
"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!" ¹. - Mário Quintana

             
            Ela não é daquelas que encontramos em uma mesa de bar. Ser uma mulher lugar-comum ela está longe disto. A vontade de ficar era maior do que a de partir. Quando cogitei retirar-me para o meu lar, foi como se a natureza conspirasse para eu ficar um pouco mais com ela. A chuva caiu de forma tão súbita quanto robusta. Dessa forma, fiquei de bom grado sentado (sem graça) ao lado dela, ao tentar admirá-la os meus olhos encontravam ora as pulseiras em meu braço, ora o chão. "Eu estou aqui" - disse ela, no entanto a timidez não permitia a mim fitá-la como eu queria. Tal qual na obra machadiana Capitu venceu Bentinho no jogo do siso, se jogássemos o mesmo jogo certamente acrescentaria uma derrota a minha vida. Ela deitou em meu colo como uma pluma que paira no ar. Velar o sono dela foi melhor do que sentir o rosto macio dela com minha mão e vê-la meigamente ficar envergonhada. Pessoas especiais tendem a transformar os momentos mais simples nos melhores. Um terraço, a noite, longe de casa, perto dela, chocolate, chuva, o cachorro a latir. Foram tudo isso componentes da receita da minha felicidade.

- Clayton Levi

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¹ QUINTANA, Mário. Quintana de bolso: rua dos cataventos & outros poemas. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 39.

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