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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Maneira ‘’errada”


[...] Pela primeira vez em minha existência, cogitei a possibilidade daqueles livros recheados de ideias planas, da seção de autoajuda, fazerem algum sentido na prática. O que você pensa, você atrai. Nada é mais forte do que a força do pensamento. Ela de alguma forma era a personificação das minhas ideias mais impuras. Eu gostava da maneira ‘’errada” dela de me persuadir a ficar bem. Ela continuou o que não terminamos na sala. Escreveu com o corpo uma literatura erótica. De forma abrupta, saltou e me abraçou com as pernas, enquanto ela brincava de gato e rato com o tesouro que tenho na língua, não hesitei, fui até precipitado, em conhecer o seu corpo como um cego conhece um livro em braille. [...].
(Clayton Levi, 11/09/15)

E se...




E se o bater de asas de uma borboleta criasse um furacão do outro lado do mundo?
E se Robinson Crusoé não tivesse contrariado o desígnio de seus pais?
E se Dorian Gray não tivesse escutado as palavras de Lorde Henry?
E se Fausto não tivesse evocado Mefistófeles?
E se Carlota tivesse se permitido amar Werther?
E se Jekyll não tivesse tomado sua fórmula?
E se Dante tivesse esquecido Beatriz?
E se o vinho tivesse findado no limiar daquela Noite na Taverna?
E se eu não tivesse lido livros?
(Clayton Levi, 8/9/15)
  

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Recesso 2015.2




Miragem de oásis no deserto.
Canto de sereia no oceano.
Bilhete premiado no fim do ano.
"Estarei sempre aqui por perto".


CLAYTON LEVI

segunda-feira, 6 de julho de 2015

J. da Silva




Na infância: cigarras
Na adolescência: cigarros
Na infância: bola
Na adolescência: cola
Na infância: o cobertor o cobre
Na adolescência: furta cobre
Na infância: saboreia balas
Na adolescência: atira balas

J. da Silva, agora adulto,
Usou o seu corpo como régua
Para medir a distância, sem trégua,
Entre o chão e o topo do viaduto.
Clayton Levi

terça-feira, 23 de junho de 2015

Poesia





A poesia é uma chave mestra: abre corações, mentes e pernas.




15 de junho de 2015, Clayton Levi.

terça-feira, 2 de junho de 2015

“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede:
 conheço um que já devorou três gerações da minha família.”.
 - QUINTANA, Mario.



          Tempo? O Tic-tac na parede do meu quarto agora é mudo. Contudo, tenho um lembrete constante da passagem das horas silenciosas e letais: pousando minha mão em meu peito "escuto" o tiquetaquear do meu coração. Algumas vezes, pode ser demasiado tarde para assassinar a saudade de algo/alguém. Até semear uma palavra amiga ou falar umas "verdades" possuem um prazo de validade. Então, vamos viver e não apenas existir: que a nossa vidafruta tenha plenitude por desfrutarmos dela a cada pedaço suculento como se fosse o derradeiro!

Clayton Levi

(De)lírio



(De)lírio: esta formosura
É perpetuada pelas primaveras.
Está estampada a efígie da ternura
Nos campos florais através das eras.

Distante de ser apenas uma savana,
É a natureza em forma humana:
Na pele tem a cor da lua.
Aurora boreal: nua.

Tem o aroma de terra molhada.
O céu azul compactado no olhar,
A expressão facial é ensolarada
E o corpo tem as curvas do mar.

Em cada carícia labial uma ígnea presença.
Delas brotam, entre as pernas, uma foz.
Há uma lira pastoril na voz.
No amor eterno tem a crença.

No sorriso pérolas incrustadas.
Musa com o toque de Midas
Transforma com seu leve tato o simples em ouro.
Notívagos costumes de um pássaro mouro

Que desfruta desse presente da natura
Sem medo de macular sua alvura.
Pêssego genital: iguaria edênica.
Perfeição da botânica.

Clayton Levi